Terapia – Vida Diária

Meus pacientes perguntam…

Como controlar minha ansiedade?

“Fico louca com os meus pais e digo coisas que não devia. Vou ficar longe deles até que isso passe.” — Flora, 22 anos.

 

“A insegurança é o meu maior problema. Às vezes me sinto como se estivesse morrendo por dentro.” — Ivan, 39 anos.

 

Veja, por exemplo, o caso de Laura. “Eu me sinto tão sobrecarregada com tudo o que tenho de enfrentar”, queixou-se. “Emprego novo, responsabilidades novas. Minhas emoções ficam desgastadas. Me sinto sufocada.”

Esses pacientes consumidos pela própria ansiedade apresentam dificuldades em relacionamentos interpessoais e em suas vidas diárias. Dessa forma, a ansiedade se manifesta no contexto da terapia.

O meu trabalho tem por objetivo a formação e desenvolvimento de uma relação terapêutica segura e de suporte, para constituir-se como uma oportunidade de exploração de novos modos funcionais de relacionamento interpessoal do paciente.

Vejo a necessidade de se trabalhar em terapia com a auto-estima do paciente, pois satisfazer esta necessidade de pertencer funciona como uma motivação, que orienta os pensamentos, emoções e comportamentos interpessoais que pressupõe uma interação positiva.

Observo, muitas vezes, que o paciente mesmo manifestando esta necessidade de cuidar-se em sua auto-estima, apresenta dificuldades persistentes em estabelecer e manter relações com os outros, percepcionando‐se assim, como socialmente isolado, fato que favorece a sua maior probabilidade de experienciar solidão, depressão, ansiedade e raiva.

A solidão é um forte indicador de problemas nas relações interpessoais associada a vários sintomas de ansiedade e depressão. É comum os pacientes se perceberem menos competentes, inteligentes e talentosos que as outras pessoas, além de considerarem que lhes falta bom senso e capacidade para resolver problemas cotidianos. Com isso, a autoestima das pessoas com temperamento volátil é predominantemente baixa e instável.

A falta de foco e organização os impede de adotar uma postura firme quanto ao que querem, pois muitas vezes sequer pensaram a respeito. Por isso, podem deixar as decisões por conta dos outros e ficam com a sensação de que não têm as rédeas de suas vidas. É comum olharem para trás e perceberem que tomaram rumos mais ao acaso ou por iniciativa dos outros do que por decisões próprias.

É criada uma problemática emocional, o que acentua a necessidade do seu evitamento ou fuga emocional. Esta fuga é conseguido por estratégias de dissociação, consumo excessivo de alcool ou outras substâncias que produzem no paciente o sentimento de falta de controle.

Pude observar que a maioria dos pacientes experenciava conflitos relacionais ou matrimoniais severos e prolongados nos seis meses anteriores ao desenvolvimento da perturbação. Entre os fatores que desencadearam os estresses mais comuns estão os conflitos familiares, o divórcio, o casamento, o isolamento social, a morte de um ente querido e a mudança de residência.

A maioria dos pacientes ansiosos relaciona seus sintomas a muitos problemas e poucas vantagens e, então, buscam a terapia para deixarem de sabotar o progresso pessoal, tanto no nível de amadurecimento psicológico, como na obtenção de bons resultados e conquistas.

Eles vêm em busca de maneiras de atenuar os traços mais disfuncionais do seu funcionamento emocional, desenvolver estratégias para aumentar o foco e a concentração, ajudar a concluir tarefas e a cumprir compromissos.

Essas mudanças são claramente possíveis com o bem–estar psicológico aumentado, assim a psicoterapia contribui não só aliviando a sintomatologia negativa, mas também gerando condições positivas.

O objetivo da psicoterapia consisti, então, em guiar o paciente de um nível disfuncional para um nível ótimo e promover a vivência de saúde e bem-estar pela percepção por parte do paciente, através do seu potencial, fazendo-o se envolver de forma ativa com outras pessoas e dando significado a atividades do dia a dia num processo de auto-realização.

Terapeuta Isolda Assumpção